terça-feira, janeiro 27, 2009

A importância das Redes


As Redes...

Rede (do latim rete, is = "rede ou teia"), orginariamente exibe o significado de conjunto entrelaçado de fios, cordas, cordéis, arames, etc.

Elas são fantásticas!

Existem vários tipos delas...:Tem as que descansamos nosso corpo; tem as que buscam o peixe para ser oferecido como alimento...e Tem a grande rede que intercomunica o mundo, a internet...

Esta rede, específicamente muito desperta minha atenção. E mais recentemente venho percebendo o quanto ela é um instrumento real para facilitar a comunicação entre pessoas do mundo todo, e por isso, procuro usufruí-la ao máximo que me for possível.

O “entrevistado da segunda” (26, janeiro, 2009) da Folha de SP, Dom Tapscoot, é pioneiro digital e fala da “Geração Digital”. Pessoas nascidas a partir da segunda metade da década de 80, para quem os avanços tecnológicos são uma realidade e não uma conquista. Tapscott fala que os “digitais” representam um desafio para todas as instituições. Para o governo, são desafio como consumidores dos serviços, mas também como cidadãos que querem se envolver no processo democrático. Como consumidores são muito mais exigentes que seus pais e estão acostumados a um serviço rápido e personalizado. Como empregados, seu instinto contraria práticas tradicionais do ambiente de trabalho. Fala que podem ser mais atentos e acelerar seu processamento de informação visual.

Faço parte desta geração. Sou de 82 e em minha adolescência passava madrugadas a fio navegando pela internet. (literalmente, gastando os “impulsos” do da conta de telefone do meu pai). Não por acaso criei esse blog.


À tempos penso nas Redes de maneira geral.

Lá em Botucatu participei da Rede Social Tear (http://redesocialblogs.com.br/redesocialbotucatu/), composta por diversas instituições (dentre elas asilos, entidades para deficientes, Senac, ongs, etc). Organizamos dois fóruns para debater o desenvolvimento local e sustentável. Num deles, a temática das redes esteve muito presente e esses princípios foram se ampliando em mim. As redes sociais, as redes de conhecimento!

Participo de alguns grupos de discussão na net, ligados à Agroecologia (novaterbrasil@yahoogrupos.com.br; agroecologiatimbo@yahoogrupos.com.br; rede_apa@yahoogrupos.com.br, cunhambebe@yahoogrupos.com.br) a acredito que eles são ferramentas fantásticas na conjugação do propósito das redes. Canais onde o fluxo de informação é bastante intenso e que muitas vezes nos perdemos em sua real utilidade. Mas enfim, são sempre meios de se disseminar sementes entre pessoas conectadas no mesmo ideal.

Articulações e organizações sociais são fundamentais para a proposta da Agroecologia. Temos a Articulação Nacional de Agroecologia - ANA, que organiza o Encontro Nacional de Agroecologia - ENA. Tive a oportunidade de participar do ultimo encontro realizado em Recife, em 2006 e pude tomar conhecimento das diversas redes Agroecológicas existentes em nosso pais. Em cada Estado existem as suas articulações regionais, muitas espalhadas nos mais distantes vilarejos, nos mais variados biomas. Aqui em São Paulo, temos também a Articulação Paulista de Agroecologia. Todas essas redes as vezes se desconectam por tempos, mas acredito ser natural, já que os ciclos são sempre dinâmicos. No momento adequado tudo se reconecta novamente.

Segundo artigo “SOCIEDADE EM REDE: conexões e desconexões”, de Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira, a existência social e suas segmentações no mundo pós-moderno, dependem de nossa conexão em uma determinada rede. Existem inúmeras redes e estas por sua vez, resultam de uma rede intrincada de relações. Sejam estas relações de natureza biológica, social, política, econômica, ou tecnológica, as mesmas apresentam algumas características comuns e seu estudo faz parte da chamada "ciência da rede".

O objetivo desta ciência está associada a idéia de ciência pós-moderna, onde estuda-se as relações e não o aprofundamento de partes isoladas. Um mundo em rede é complexo, por isso gera vidas e relações complexas. Na verdade a máxima que acompanha a noção de rede é: "complexidade gera mais complexidade".

No mundo em rede, somos forçados a enfrentar o desafio de re-construir nosso "ser" e "estar no-mundo". Nossa identidade sofre as influências de novos códigos cotidianamente, e a vida como resultado de uma rede de interações de naturezas diversas, é um fluxo que corre numa velocidade sem precedentes num tempoespaço altamente tecnológico.

Muitos elos a se conectar, já que não precisamos ficar reinventando a roda. Basta que saibamos procurar o nossa parceiro, aquele que nos identificamos. E a internet é um brilhante instrumento para encontrarmos algumas dessas respostas. Tanto com os e-mails, orkut, msn, grupos de discussão, sites, blogs e tantas outras coisas. Enfim... é um desafio para muitos..já que para alguns o aprendizado e a linguagem desse canal virtual é ainda um grande desafio. Mas acredito que este seja um obstáculo que nos trás muito conhecimento e aprendizado, já que aqui na Net, diferente da TV, podemos selecionar o que nos é útil com mais objetividade, canalizando nosso tempo para qualquer Rede que quizermos pertencer.

Atividade em grupo no Assentamento Fazenda Pirituba - Itapeva - SP

segunda-feira, janeiro 26, 2009

O dilema do onívoro

O DILEMA DO ONIVORO: O que devemos comer no almoço?
UMA HISTORIA NATURAL DE QUATRO REFEIÇOES

Michael Pollan. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2007
Alinhar ao centro
O que devemos comer no almoço? Este livro é uma resposta longa e complexa para esta pergunta aparentemente simples. Ao longo do caminho o autor explica as implicações desta questão, e discute como uma questão tão simples pôde tornar-se tão complicada. As prateleiras de um supermercado, estágio final da cadeia alimentar contemporânea, são o ponto de partida escolhido pelo autor para começar a responder esta questão. O leitor é convidado a seguir o caminho inverso, reconstituindo o trajeto dos alimentos, desde o prato à nossa mesa até a origem de tudo: o solo. Quanto mais longo e intrincado é o percurso que liga as duas pontas dessa cadeia altamente industrializada, mais ignorantes nós nos tornamos a respeito do que estamos comendo.

Por que é cada vez mais complicado decidir o que almoçar? Os alimentos atualmente são vendidos apenas com base em seus benefícios para a saúde: um é capaz de reduzir seu colesterol, outro tem muitas fibras. Os nutrientes tornaram-se mais importantes que a comida em si, e o alimento tornou-se apenas um intermediário na entrega destas substâncias. Assim, escolher o que comer tornou-se uma decisão para profissionais, e não para amadores. Tem-se a impressão de que é necessário ter um diploma de nutrição ou bioquímica para tal escolha!

Afinal, que mistérios estão por trás de uma bolacha industrializada, de um hambúrguer, ou de um simples item de um cardápio de fast-food, como, por exemplo, um McNugget? Para responder a essa e outras perguntas, o autor leva o leitor a explorar, não apenas intelectualmente, mas sensorialmente, todas as implicações - éticas e ecológicas, econômicas e políticas - relacionadas ao ato de se produzir e consumir um alimento. O resultado da investigação é um misto de reportagem, ensaio e depoimento pessoal, numa obra que surpreende ao revelar que a aparente variedade dos modernos supermercados esconde uma alarmante uniformidade imposta pela superprodução industrial. Para chegar a um diagnóstico sobre o que considera a atual desordem alimentar, Michael Pollan investiga três mundos diferentes: o do cultivo e produção de alimentos em escala industrial, o do florescente negócio da agricultura orgânica (analisando o que tem de promissor e de
enganoso), e o mundo ligado à caça e ao extrativismo. Neste último, ensaia uma volta à atividade primeira do Homo sapiens, o onívoro por natureza que todos nós somos.

Observamos que há cada vez mais produtos disponíveis nas prateleiras dos supermercados, criando a impressão de que temos mais tipos de comida disponíveis. Pollan explica que é fato que atualmente podemos encontrar diferentes frutas e vegetais do mundo todo num bom supermercado, muito mais do que encontraríamos cinqüenta anos atrás. Mas, ao analisar as fontes de calorias, nota-se que a nossa dieta está menos diversificada. Mais de dois terços das calorias consumidas diariamente vêm de apenas quatro vegetais cultivados em escala mundial e com grandes interesses econômicos: milho, soja, trigo e arroz. Há um século atrás, havia maior diversidade. Esta aparente diversidade no supermercado obscurece a realidade de que a diversidade de nossa dieta vem encolhendo.
Plantação de arroz em Pindamonhangaba -SP

Alimentos altamente industrializados são hoje a base da "dieta ocidental", que domina os Estados Unidos da América e se espalha pelo mundo. Nos últimos anos, a indústria vem lançando alimentos que supostamente seriam menos nocivos. Pollan denuncia essa manobra de marketing, que explora o medo dos consumidores para vender produtos de valor duvidoso. E lança um manifesto que propõe a volta à alimentação tradicional, orgânica e saudável dos nossos avós. Ele dá dicas de como qualquer um pode se alimentar com "comida de verdade", em vez dos produtos artificiais da indústria alimentícia.

Pela primeira vez na história da humanidade, há mais pessoas obesas do que famintas no mundo. Os acima do peso respondem hoje por 1 bilhão da população mundial, diante de 800 milhões que passam alguma forma de privação na alimentação. As causas principais são más dietas e sedentarismo. Não ficamos fora desta estatística. O Brasil nunca foi tão gordo. Os brasileiros com massa corpórea superior à considerada normal já somam 43 milhões - o equivalente a 43% da população adulta, quase três vezes mais do em meados da década de 1990. Por conseqüência, a quantidade de pessoas em dieta para emagrecer também é enorme: 25% dos homens e 50% das mulheres. É um público propenso a acreditar em regimes que se vendem como capazes de operar metamorfoses na silhueta do dia para a noite, sem prejudicar a saúde.


Verifica-se atualmente uma obsessão em obter os nutrientes corretos, em alimentar-se de maneira saudável, e uma percepção errônea de que basta comer a comida correta que tudo estará bem com você e o mundo todo. Precisamos voltar a nos preocupar em conhecer toda a cadeia produtiva dos alimentos e não ficarmos obcecados com alguns nutrientes. A manutenção da saúde deve ser apenas uma conseqüência, e não o objetivo de comer bem. De forma geral devem ser aplicados cinco princípios éticos para uma escolha consciente na hora das refeições: transparência, equilíbrio, humanidade, responsabilidade social e necessidade.

Há ainda as implicações econômicas e políticas. Este livro é um importante alerta para um Brasil que se pretende transformar numa Arábia Saudita dos biocombustíveis. A afirmação de que não haverá necessidade de desmatamento para a produção e a exportação de grandes quantidades de biodiesel se baseia na avaliação de que grandes áreas de pastagens podem ser convertidas para monoculturas de oleaginosas com um pouco de modernização de nossa agricultura. Nos EUA, são necessárias duas calorias de fertilizantes sintetizados a partir do petróleo para produzir uma caloria de milho. E como o gado bovino é alimentado com milho, quase um barril de petróleo é consumido para cada animal abatido. Os excedentes da produção de milho estão na origem tanto da abundância quanto da obesidade. Os subsídios governamentais são enormes, o alimento industrializado tem preços baixos, mas dão origem aos altos índices de obesidade que custam algo em torno de 90 bilhões de dólares por ano em despesas médicas. Ou esses excedentes atravessam a fronteira do México, onde acabam com os pequenos produtores, aumentando a oferta e reduzido os preços.

Toda uma complexa cadeia de interesses gira em torno da produção de milho, impedindo que cessem os subsídios. A insensatez do agronegócio é objeto de uma análise que revela a importância de saber como se estrutura a indústria dos alimentos que chegam diariamente às nossas mesas. Há ainda a história dos outros três vegetais cultivados em escala mundial.


A industrialização dos alimentos mudou nossa relação com a comida. Como consumidores estamos desorientados, e não sabemos mais de onde vem nossa comida. A cadeia é tão grande que muita criança pensa que a comida vem do supermercado, que o leite vem da caixinha Tetra Pack. Muitas crianças hoje não entendem que a cenoura ou a batata são raízes. A indústria alimentar nos desconectou do fato de que para sobreviver dependemos de outras espécies, com as quais compartilhamos o planeta. Assim, nós entregamos a preparação dos alimentos para empresas de grande escala. Isto pode ser conveniente, porque nos faz ganhar tempo, mas estas empresas não cozinham bem: usam muito sal, gordura e açúcar, e logo a comida se torna altamente calórica e não tão nutritiva.

Em conseqüência nos tornamos mais vulneráveis. Somos vítimas mais fáceis das manipulações dos alimentos fast-food e das propagandas de dietas milagrosas. É uma das razões pela qual temos tantos problemas de saúde relacionados à alimentação. Não confiamos mais em nossas tradições, não sabemos mais como cozinhar. Precisamos tomar de volta a decisão sobre nossas escolhas alimentares e sobre a preparação das refeições. O livro segue por caminhos fascinantes e sua leitura nos faz perguntar se é isso mesmo que queremos para nossa vida.

Credenciais do autor

Escritor e jornalista estadunidense Michael Pollan é colaborador do New York Times Magazine. É professor de jornalismo na University of California, Berkeley, onde dirige o Programa de Jornalismo Científico e Ambiental. É autor de artigos polêmicos sobre a indústria alimentar. Recentemente lançou seu novo livro, In Defense of Food (Em Defesa da Comida), ainda sem tradução no Brasil.

Referências

POLLAN, Michael. O Dilema do Onívoro: Uma história natural de quatro refeições. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2007
POLLAN, Michael. The Botany of Desire: A Plant's-Eye View of the World. New York: Random House. 2001.
POLLAN, Michael. The Omnivore's Dilemma: A Natural History of Four Meals. New York: Penguin Press. 2006.
POLLAN, Michael In Defense of Food: An Eater's Manifesto. New York: Penguin Press. 2008

NOTA: Este último livro já está disponível em tradução ao português: Em defesa da Comida.


Resenha por Luciel Henrique de Oliveira
Engenheiro Agrônomo (UFLA, 1987), Mestre em Administração (UFLA, 1992), e Doutor em Administração de Empresas (EAESP/FGV,1998) . Pós-Doutor em Administração, na área de Gestão Estratégica da Inovação Tecnológica e Operacional, (CenPRA - Ministério da Ciência e Tecnologia, 2007). Professor do UNIFAE e da EAESP-FGV. e-mail - luciel@uol.com.br

fotos: rodrigozacca.wordpress.com/page/2/ e vegetariando.blogspot.com

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Nossa cultura alimentar e a China!



A Agroecologia preserva uma discussão que acredito ser de imensa relevância: a cultura alimentar. Em nossa cultura brasileiro-americanizada, estamos perdendo cada dia mais noção das nossas relações com nosso alimento. Bárbara Kingsolver, em seu livro “O mundo é o que você come” (ed. Nova Fronteira, 2007) descreve sobre esse tema dizendo que as Cultura Alimentares concentram a sabedoria coletiva de uma população sobre as plantas e os animais que crescem em um determinado lugar, e as formas complexas de torná-las saborosas. Ela aponta que nos Estados Unidos vêm surgindo alguns sinais de se re-encontrar e/ou re-estabelecer um conjunto de rituais, receitas, éticas e hábitos de compra que nos permitam amar nossa comida e come-la também.

Tais sinais abrangem uma comida mais local, mais saudável e mais sensível, envolvendo desde os adeptos do Slow food à efetiva secretaria de saúde pública; de shows beneficentes em prol de fazendas à programas de merenda escolar. Ela cita que pela primeira vez, o ponto de origem da produção assume novamente importância aos consumidores.Dentre as tradições alimentares mais conhecidas temos a culinária italiana, francesa, tailandesa e a chinesa.


A culinária chinesa...


é uma das mais ricas do todo o mundo. Diferente da culinária ocidental, onde a proteína de carne é o principal, o ingrediente mais importante na comida chinesa é fonte de carboidratos como arroz e talharim. Talvez paradoxalmente, em um banquete chinês tradicional, nenhum arroz deve ser servido.

Cor, aroma e sabor não são os únicos princípios a serem seguidos na cozinha chinesa; é claro que a nutrição vem em primeiro lugar. Uma teoria da "harmonia dos alimentos" pode ser atribuída ao intelectual Yi Yin da dinastia Shang (séc. 16 ao 11 a.C.). Ele relaciona os cinco sabores doce, azedo, amargo, picante e salgado às necessidades nutricionais dos cinco principais sistemas de órgãos do corpo (coração, fígado, baço, pâncreas, pulmões e rins) e enfatiza seu papel na manutenção da boa saúde física. Na realidade, muitas plantas utilizadas na cozinha chinesa tais como alho-poró, gengibre fresco, alho, botões secos de margaridas, cogumelos, etc., têm propriedades de prevenção e alívio de várias doenças. A cultura Chinesa e oriental de maneira geral, tem muitos ensinamentos a nós brasileiros mergulhados na cultura Norte-americana.



Comemoração na China


Nessa época do ano, na China comemora-se o Ano Novo (ano do BOI), que é guiado pelo calendário Lunar. Esse período é um dos mais importantes para a sociedade chinesa, pois eles fazem uma pausa no trabalho para festejar com a família. Os primeiros registros sobre a comemoração do Ano Novo Chinês têm aproximadamente 2.000 anos. Essa tradição foi sendo moldada através de lendas, histórias e hábitos. O rito de passagem de ano tem início semanas antes, os chineses costumam limpar seus lares para afastar os maus espíritos.

No 23º dia do último mês lunar, eles oferecem comida ao Deus da Cozinha, que segundo eles é o responsável pela prosperidade familiar. Também costumam colar nas portas e janelas das casas papéis vermelhos com dizeres de bom agouro em dourado, os Tao Fu, para atrair bons fluídos e proteger quem mora ali. O vermelho e o dourado são as cores oficiais da data, segundo os chineses elas são responsáveis por trazer boa sorte àqueles que as usam, principalmente em roupas novas. Assim como na comemoração ocidental do Ano Novo, os chineses consumam reunir-se em família e produzirem uma mesa farta na noite da véspera do Ano Novo Chinês.


Um pouco de história

(taoísmo)

O Taoísmo e o Confucionismo, consideradas mais filosofias que religiões, estão revivendo uma particular efervescência em uma China abandonada pelos ideais comunistas e entregue alegremente a um capitalismo vazio de espiritualidade.

O caminho do Tao, que em mandarim significa caminho da verdade, foi iniciado por Lao Zi há mais de dois mil anos, e se trata de uma filosofia que enfatiza a compaixão, a moderação e a humildade, valores ideais para tempos de crise.

Além disso, esta filosofia confere muita importância ao equilíbrio com a natureza, à vitalidade, à paz, à inação, à renúncia ao ego, à flexibilidade, à abertura da mente e à espontaneidade.

Com raízes que remontam a crenças quase pré-históricas, o Taoísmo pode ser considerado o primeiro movimento ecologista da História, já que é caracterizado por um profundo respeito à Natureza e, da mesma forma que o Budismo, estabelece uma relação direta entre esta e o ser humano. "Necessitamos manter o equilíbrio no mundo para proteger nosso planeta" para o novo ano (o 4707º no calendário chinês), diz Zhao.

O ano do Boi


Para Ling Wang, consultora de negócios com a China, o Ano do Boi promete ser um ano de trabalho duro e é um período de colocar a casa em ordem. "É o momento de arar os campos e prepará-los para o plantio imediato. Quem mergulhar nas tarefas mais exaustivas, colherá resultados, pois o símbolo deste ano é o da colheita fecunda. Este é o período de sucesso para quem se esforça dedicando atenção ao planejamento e ações agendadas. Espera-se que seja um período de estabilidade e solidez que são características do boi", explica. Ling completa que o signo do Boi representa a prosperidade, paciência e muita vontade de trabalhar.

E..falando em Boi...para uma legítima Taurina, deixo todas minhas reverências e esse animal fabuloso que preenche os espaços degradados de nossos campos. Que muito pode oferecer a nós seres humanos, sem que precisemos sacrificá-lo. Sua calma, e força de vontade se somam com a maravilha do leite da vaca (e seus derivados) e ao seu esterco fabuloso, base do mais fantástico adubo que pode existir. Como não venerar esses bichos, que são dóceis quando bem tratados e que são mansos quando respeitados!


Então...que 2009 seja um ano recheado de sabores, saúde, cultura e com muita prosperidade, paciência e muito trabalho a todos!!!



Site : http://www.sociedadetaoista.com.br/

http://www.portaldekungfu.com/CulturaCulinaria.html

http://ecodesenvolvimento.blogspot.com

quarta-feira, janeiro 21, 2009

MST, 25 anos de Luta pela Terra

Durante DRP da Biodiversidade - Itapeva- SP - 2004

Meu primeiro contato real como MST se deu através do X Estágio Interdisciplinar de vivência em Assentamentos Rurais, organizado pelo Grupo Chico Mendes, da Unesp - Botucatu, no ano de 2004. De lá pra cá o relacionamento foi se fortalecendo, já que durante o PROGERA (Programa de extensão Rural Agroeclógica de Botucatu e Região, pelo Instituto Giramundo Mutuando) realizamos diversas atividades tanto em Itapeva com em Iaras-SP e também Andradina.
Itapeva/ nov.2004

Durante meu estágio, fiquei na Agrovila 6 (como é chamado os bairros rurais), que até então não possuia energia elétria. Ou seja, condições de higiêne e conforto bem limitadas para o contexto urbanóide atual. Entretanto a "minha" família era produtora de leite, feijão, arroz, possuiam galinha, e horta. Não participam de grupos, (cooperativas ou associação) já que em todo o assentamento existem vários "coletivos", porém são sim um exemplo de família assentada que luta e trabalha com muita dignidade pelo pedaço de chão que conquistou! Hoje já possuem energia (portanto geladeira, que antes não tinha!) e o insentivo do governo para as construções melhoraram bastante as condições de moradia deles.

Minha segunda "mãe" Neusa

A importância do RESPEITO fez-se necessária, afinal, sentimos na pele as dificuldades enfrentadas num setor que basicamente é excluido (como a agricultura familiar), sempre em confronto direto com a MÍDIA, e por que não, com as classes de interesses opostos. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra é o contraponto fundamental frente ao sistema em que vivemos. Ele auxilia na manutenção de um equilíbrio muitas vezes ignorado, exigindo a dignidade do acesso à condições básicas de VIDA, nesse mundo tão desigual em que vivemos.

O site oficial do MST (www.mst.org.br) apresenta a seguinte colocação:

"Depois de 500 anos de lutas do povo brasileiro e 25 anos de existência do MST, a Reforma Agrária não foi realizada no Brasil. Os latifundiários, agora em parceria com as empresas transnacionais e com o mercado financeiro – formando a classe dominante no campo - usam o controle do Estado para impedir o cumprimento da lei e manter a concentração da terra. O MST defende um programa de desenvolvimento para o Brasil, que priorize a solução dos problemas do povo, por meio da distribuição da terra, criação de empregos, geração de renda, acesso a educação e saúde e produção e fornecimento de alimentos".

Geremias, meu "pai" da Agrovila 6, tocador de sanfona!
Voltando a falar dos nosso escassos veículos de comunicação, segundo o Jornal "Folha de São Paulo" de ontem, o MST foi processado mais de 600 vezes. Assim foi um dos títulos de uma reportagem que só se esforçou para contabilizar o saldo negativo. Ótimo! O jornal, ao invés de exercitar os muitos motivos a se comemorar 25 anos de existência, obviamente opta por reforçar toda a problemática. O ponto franco é sempre o preferido..os defeitos! É a grande váuvula de escape para os que pouco auxiliam na luta deste movimento, que a meu ver é muito belo! Infelizmente nosso veículos de comunicação são xulos e não traduzem a beleza da LUTA! a beleza da esperança que existe em cada assentado que espera, na batalha de cada dia um pedaço de chão para morar.

O Encontro Nacional está acontecendo esse ano em Sarandi, Porto Alegre, com aproximadamente 1300 delegados de 24 estados. Pude participar da festa de 20 anos, que ocorreu em Itapeva. Alegria e união, sempre!!! O MST é muito valorizado pelo Brasil a fora, tanto é que recebe apoio de diversas instituições estrangeiras. Infelizmente os olhos do nosso povo ainda está distante para poder compreender a beleza desse movimento. Culpa da tal caixinha mágica chamada televisão e dos demais meios de comunicação de massa!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Permacultura na Mata Atlântica - Ubatuba-SP


Tiê-sangue
Esta ultima viagem pelo belo Parque estadual da Serra do mar, em meio a bélissima Mata Atlântica foi um verdadeiro presente dos Deuses.

O contato com a natureza pura é facinante! Palmeiras de vários tipos, aves também. Água do mar, da cachoeira e da chuva. Muito calor, abafado por de trás das nuvens que vão e voltam, escondendo o Pico do Corcovado, em Ubatuba.
É lá, no pé do Corcovado que fica o IPEMA - Instituto de Permacultura da Mata Atlântica (http://www.ipemabrasil.org.br). Tomei contato direto com a permacultura em 2003, durante um curso organizado pelo Grupo de Agroecologia Timbó, ministrado pelo permacultor australiano Pete Weeb. Depois disso, o contato com o Sítio Beira Serra (www.beiraserra.org.br) em Botucatu também, e os cursos de Bio-arquitetura na área do Timbó, também foram ampliando a precepção dessa corrente tão bela da Agroecologia.
Curso de Eco-construções: Leandro (Clight) e Edoardo Aranha (Dozão)
Com origem na Austrália, a Permacultura se caracteriza por projetos que faz a utilização de métodos ecologicamente saudáveis e economicamente viáveis, que respondam as necessidades básicas sem explorar ou poluir o meio ambiente, que se tornem auto-suficientes a longo prazo.Entente-se que tanto o habitante quanto a sua morada e também o meio ambiente em que estão inseridos fazem parte de um mesmo e único organismo vivo, segundo o site do Ipema.
Atualmente existe uma grande rede de permacultores, com cursos acontecendo constantemente nos institutos espalhados pelo Brasil (e mundo) a fora.
Na permacultura a arte da criação é transformada em utilidade. É reaproveitada. É traduzida na prática, com os recursos locais. Sempre junto com os recursos naturais..e dentre essas idéias nos deparamos com o Absorvente ecológico. Alternativa genial para esse mundo tão cheio de lixos, de descartes! Com certeza, demanda uma mudança de postura, de nós mulheres, muito intensa. Entretantoé esse o grande desafio da Agroecologia. Praticarmos as alternativas viáveis...sustentáveis.
E se tratando de alimentos... fomos brindados com tapioca, cuzcuz, abóboras, palmitos (açai, jussara, pupunha), até o pé de moleque caiçara (farinha de mandioca, gengibre e rapadura! divino!). Bananas por todo lado, de muitos tipos, Jacas, grumixama, e tantas outras frutinhas! Os animais estão dentro: nos servimos de um delicioso baquete onde , com todo respeito, a Tainha foi a estrela... Nos disseram que é bem comum comer gambá e outros tantos bichinhos da mata. Vacas é o que menos tem por aquelas bandas úmidas da Serra do Mar. As plantas são tantas...bromélias, helicônias, o Manacá todo florido, as Maria sem vergonha dando o contorno.
Com o Mar, a energia que se renova é intensa. Após a prazeiroza caminhada pela trilha que vai da praia da Fortaleza até a praia do Cedro, revivi um local que a anos atras havia passado um reveillon com amigos. Praia divina!
Mas definitivamente o que deu o brilho em todo esse passeio foram as pessoas. Amigos velhos e amigos novos. Pessoas da vila, pessoas de férias, pessoas plantando, pessoas vendendo. Pessoas em suas casas novas, em suas velhas casas, em suas casas diferentes! E todas essas pessoas carregadas de um espírito muito bom.. o de recomeçar cheios de ânimo para tocar esse ano de 200 INOVE!!!


PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO MAR




quarta-feira, janeiro 14, 2009

Safra do Figo Roxo de Valinhos - e as frutas orgânicas?


No mês de janeiro estamos em tempo da 60. Festa do Figo e 15. Festa da Goiaba (http://www.festadofigo.com.br/2009/). O Agroturismo é uma opção para aproximar o consumidor da cidade com a realidade do campo.
Turismo, muito verde e plantações de deliciosas frutas típicas da cidade. Estes são os ingredientes que fazem do Agroturismo uma das principais atrações da Festa do Figo e Expogoiaba. O passeio pelas propriedades rurais de Valinhos está a cada edição atraindo mais visitantes que buscam conhecer a produção da
“Capital Nacional do Figo Roxo”.
A consciência sobre a produção ecológica de alimentos ainda é bastante tímida no município, que está inserido no Polo Turístico do Circuito das Frutas. Reflexo disso é a baixa adesão dos produtores para uma fruticultura orgânica. Porém as iniciativas existem! A Familia Roncaglia é uma delas!
Segue abaixo matéria publicada no site www.revistanatural.com.br sobre o cultivo de orgânicos e mais especialmente sobre a produção de frutas da Familia Roncaglia, aqui de Valinhos.


ORGÂNICOS - A SERVIÇO DA VIDA
rev 96 - fevereiro 2006



Alguns agricultores já apostam até numa volta às velhas praticas agrícolas, praticadas na época de seus pais e avós.

Na fruticultura comercial, atividade que nos últimos dez, quinze anos, todos os segmentos da produção registraram crescimento um número não é muito comemorado entre os produtores. Todo o prestígio conquistado pelo fruticultor a custa de muito trabalho não se pode negar, não é suficiente para apagar a liderança em um ranking nada prestigiado, o de ser, depois do setor de hortaliças, aquele que tem o maior índice de uso de produtos químicos, defensivos na sua maioria, ao longo de uma mesma safra.

Segundo os especialistas isso acontece com maior freqüência no segmento de frutas de mesa, que tem como característica oferecer produtos in-natura ao consumidor final. O excesso de exposição e a fragilidade das frutas contra a ação de pragas, fungos, nematóides, além dos muitos danos causados pelo clima e que podem depreciar sua qualidade para o mercado, são apontados como a causa desse verdadeiro bombardeio feito contra os pomares diariamente.

Lideranças de movimentos sociais e ONG ambientalistas, no entanto, dizem que nisso tudo, o que mais causa perplexidade é que até pouco mais de quarenta, cinqüenta anos, grande parte dos produtos que hoje são descritos nos receituários agronômicos, sem nenhuma restrição, nem sequer eram conhecidos. Apesar de existir a muito mais tempo, o conceito de agricultura orgânica viveu muito tempo a margem do sistema de produção. Só de uns 15 anos para cá que os grupos de agricultores se uniram num trabalho de conscientização para mudar o pensamento que ra comum entre produtores e consumidores de um modo geral, destaca Tiago Biusse, diretor financeiro da AAOcert, ONG ligada a Associação de Agricultura Orgânica AAO.

Biusse que é uma liderança importante dentro do setor fala que o trabalho da AAO, principal entidade que representa a produção orgânica, no sentido de tornar a certificação dos produtores uma realidade em todo o país tem sido decisivo. “Hoje a preocupação do setor não é apenas quanto ao não uso de adubos químicos e agrotóxicos. As normas de maneira geral são bem mais amplas”, esclarece o diretor financeiro da ONG.

A lei dos orgânicos, criada para regulamentar a produção e coibir eventuais ilegalidades, é vista como um divisor de água. A lei já passou pela apreciação do legislativo e aguarda regulamentação para entrar efetivamente em vigor. Entre suas principais deliberações a lei estabelece o respeito às questões sócio-ambientais, além de toda uma quantidade enorme e conceitos agronômicos ligados ao cultivo ecologicamente correto.

O preparo do solo, o uso consciente dos recursos da propriedade, a minimização na aplicação de insumos externos à propriedade, são apenas algumas normas que o produtor tem que obrigatoriamente seguir. O conceito de sustentabilidade da produção agropecuária é outro ponto bastante destacado entre os produtores e representantes do setor. Para eles, a permanência do lavrador, numa mesma área, durante varias gerações é o que vai garantir a continuidade dos recursos necessários à continuidade da produção no campo. O líder da ONG AAO cert, chama atenção para o fato de que na agricultura convencional isso não gera preocupação e explica o porquê.

No modelo de agricultura usado na atualidade e que se praticou durante séculos no Brasil, o agricultor não se vê muito comprometido em explora uma determinada área de maneira sustentável. A terra é usada durante um período, que pode durar de quatro a cinco anos e depois é, simplesmente abandona. “É esse uso extrativista da terra que faz da produção orgânica um mau negócio para a maioria dos grandes agricultores brasileiros”, desabafa Biusse.

Um dado do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, MAPA, corrobora com a colocação do representante dos produtores. Um levantamento feito para medir o nível de degradação das terras agricultáveis do país mostra que um universo de 50 milhões de hectares, o que equivale a um terço do total de 150 milhões hectares, já apresenta algum tipo de degradação. Dentro de um país que tem as dimensões de um continente, como é o caso do Brasil, uma área igual ou superior a muitos países da Europa, Ásia e até mesmo da América do Sul, pode estar sendo desperdiçada. Recentemente o próprio ministro da agricultura Roberto Rodrigues admitiu que a situação é bastante grave.

Orgânico bem manejado garante produção

Uma dúvida que se instalou no campo, sabe-se lá porque, e que permanece até hoje entre os agricultores é sobre não uso de produtos químicos nas lavouras como principal motivador da redução nos índices de produtividade das culturas. Neste ponto os especialistas e até mesmos os produtores reconhecem que essa relação não é muito direta. Agricultores que trabalham no sistema orgânico já manejam áreas de cana-de-açúcar, num total de 18 mil hectares.

Outras lavouras como é o caso da soja, milho, trigo, feijão, arroz, também crescem e hoje já disputam espaço com os convencionais nas gôndolas dos principais supermercados. Na linha de hortaliças e frutas em geral, as vezes é mais fácil o consumidor encontrar produtos orgânicos do que o convencional.
Adenilson Roncaglia que há sete anos trabalha com frutas no sistema orgânico é perfeitamente possível o agricultor trabalhar sua terra sem nenhum tipo de agressão externa e tirar dela um resultado igual ou a até superior ao sistema convencional. O fruticultor que é sócio proprietário no Sitio São José, que ele administra em parceria com o irmão, Adilson Rocaglia, defende a viabilidade comercial da fruticultura orgânica, porque se diz um exemplo vivo. Nas suas terras o conceito de produção agrícola sem nenhum tipo agente químico externo é levado a sério. “Talvez se não fosse por isso nossa produção não tivesse atravessando a quatro geração”, ele fala. Adenilson, responsável por manejar os pomares de figo, goiaba e serigüela do sítio, conta que numa outra propriedade, mantida pela família, em Jarinú, SP, cidade próxima a Serra da Cantareira, eles mantém uma produção de maça no sistema orgânico. Para agricultor, manejar a lavoura nesse sistema, onde nenhum tipo de produto químico é permitido dá mais trabalho ao agricultor. No entanto, a quantidade de técnicas para isso é grande.

Controle de pragas e doenças é biológico

O manejo fitossanitário do pomar é feito usando o controle biológico de pragas e doenças e a criatividade dos produtores para desenvolver ferramentas alternativas, em alguns casos, surpreende. Uma praga conhecida como broca, que ataca as lavouras de figo e, se não cuidada, pode vir a matar a planta conta com um controle quase artesanal. O processo consiste em retirar o inseto da planta, utilizando um pedaço de arame liso. Esse é introduzido no galho pelo produtor para fisgar o inseto. O agricultor observa que em lavouras comuns, onde são feitas pulverizações periódicas, essa praga nem é muito conhecida.

A mosca da fruta outro inseto também bastante temido e combatido dentro da fruticultura, no sistema orgânico é combatido de diferentes formas. Na goiabeira, por exemplo, os frutos são envolvidos em sacos de papel, evitando assim o contato direto da fruta com a mosca. Além disso, uma parte dos frutos é derrubada do galho, logo do inicio da brotação, na intenção de que sirvam de iscas para os insetos, explica Adenilson.

Já com a figueira, plantas que tem um fruto bastante sensível, o controle da mosca é feito de duas maneiras. A primeira usa tecnologia mais avançada e é feito através de um selo, colocado na parte posterior do fruto, por onde as fêmeas adultas costumam botar seus ovos. Esse selo que segundo o produtor não é tóxico para quem consome a fruta, geralmente a acompanha até a casa do consumidor.

Uma outra forma usada pelos agricultores para atrair a mosca é através de uma isca feita com uma garrafa “Pet” de refrigerante, onde o eles colocam suco de figo batido no liquidificador. O produtor diz que o truque é simples. Depois de encher a garrafa com uma quantidade de suco de frutas, faz-se um furo na garrafa, numa altura próxima ao nível do suco e depois a deixa no pé da planta. A mosca é atraída pelo cheiro forte da fruta e quando entra na garrafa se lambuza e não consegue mais sair.

O fungo causador da ferrugem nas folhas, tanto do figo como da goiaba é controlado com a aplicação de uma calda feita com enxofre e cal de construção. O produto deve ser aplicado conforme a necessidade, explica Adenilson. “Mas é preciso ter critério no uso da calda para evitar problemas de toxidade nas plantas”, ele conclui.

Fertilidade tem papel importante

O manejo da fertilidade também segue critérios rígidos do não uso de produtos químicos e prega um manejo voltado ao uso dos recursos naturais disponíveis no próprio local. Os cuidados para não faltar nutrientes no solo são, basicamente, os mesmos do sistema convencional, usando análise do solo como procedimento padrão, antes de iniciar qualquer plantio. Caso a análise mostre algum tipo de deficiência de nutrientes, a correção do terreno é feita utilizando um esterco, de compostos orgânicos que pode ser de origem animal ou vegetal. No sitio São José, além de do composto eles praticam uma adubação verde em toda a área “Esse é o diferencial que mantém a longevidade da produção no sistema orgânico”, enfatiza o agricultor que destaca a importância vital desse trabalho.

A espécie usada vai depender do resultado da análise. A quantidade de opções é ilimitada. No sitio São José foram usadas varias culturas. Adenilson destacou, o Nabo Forrageiro como uma cultura ótima na retenção de nitrogênio no solo. Outra espécies são plantadas no sistema de consórcio, caso da Crotalária, Tremoço, Labi-Labi, Ervilhaca, Aveia, Mucuna, que aparecem segundo ele, em determinada época do ano.

Como o uso de herbicidas de qualquer espécie é proibido a roçada é obrigatória para depositar material orgânico no solo. De acordo com o fruticultor isso deve ser feito a cada 20 ou 30 dias, dependendo das chuvas. Para corrigir as deficiências de nutrientes mais específicos como, ferro (P) Potássio (K), além dos micro-nutrientes, existe toda uma variedade de rochas e outras fontes extraídas da natureza. Antes de usar qualquer produto que o produtor não tenha certeza da sua aplicação a AAO recomenda que o produtor procure a entidade para esclarecimentos. Para isso a entidade mantém uma equipe de técnicos para dar todas as orientações.

FEIRA É SUCESSO

O aumento no interesse dos consumidores por uma alimentação mais saudável e a consciência de que a preservação do meio ambiente é vital para a continuidade da vida no planeta está fazendo crescer a procura por produtos orgânicos, principalmente nas grandes cidades.

Um exemplo que ilustra bem essa realidade é uma feira que acontece todas as terças-feiras e sábados, no Parque da Água Branca, zona Oeste da capital e que atrai uma quantidade enorme de pessoas, vindas de todos os cantos da cidade. O evento que acontece, regularmente, há quase 20 anos, reúne produtores de várias regiões de São Paulo, inclusive de outros estados e movimenta uma grande quantidade negócios.

Dados do Banco Nacional de Desenvolvimentos Social, BNDES, mostram um faturamento para o setor de orgânicos de US$ 300 milhões por ano. Para o casal de agricultores Jorge e Hute Horita que participam da feira, há 14 anos, a relação entre eles e seus clientes é de total confiabilidade e recíproca troca de conhecimento. A família Horita, mantém uma produção de legumes e verduras, na cidade de Mairinque, SP, com mais de 40 variedades diferentes, além de legumes e alguns grãos, soja, milho, feijão.

Adepto da filosofia oriental, Jorge Horita busca aplicar esses conceitos no dia-a-dia do seu negócio. Para o agricultor, da mesma forma que acontece com os seres humanos, o desequilíbrio é geralmente a causa principal das doenças físicas e perturbações. Na natureza não é diferente.

A família Roncaglia que comercializam suas frutas na feira de orgânicos, buscam diversificação através de um sistema de parcerias com outros produtores. Com isso é possível ampliar o leque de produtos, além de manter uma constância de produtos nos períodos de entressafra, explica Adilson Roncaglia. Já o produtor Marcos Camparini, proprietário do sitio Jatobá, de Ouro Fino, Sul de Minas Gerais, aposta na fabricação de produtos processados para se diferenciar no mercado. Segundo ele, a procura ainda é pequena, mais com forte tendência para um crescimento rápido. Hoje o produtor enfrenta algumas dificuldades para conseguir outros nichos de mercado para seus produtos. Com a regulamentação da lei de orgânicos, que deve acontecer em breve, ele espera que as coisas mudem.

Agora uma coisa que chama atenção dentro do negócio de produção orgânica são as lições de vida passadas, tanto por produtores como consumidores. Como a história da técnica em informática Cleuza dos Reis Este, de 57 anos, que por um problema de saúde do marido foi levada para consumir produtos naturais e não parou mais. Ela Conta que, há cerca de quatro anos, seu marido sofria de um câncer raro no intestino, e que um amigo recomendou a mudança radical na dieta das família. Ela não só aceito a mudança, como hoje, depois de uma cirurgia e do marido já curado, todo o consumo, desde verduras, frutas e legumes até produtos que normalmente são comprados no supermercado, são comprados de fornecedores orgânicos.

Do outros lado do balcão também tem história de gente que por motivos de saúde teve de abandonar os produtos convencionais e começar a buscar fontes de alimentos naturais. A produtora Rita Brambila Maronesi, dona do sitio Santa Madalena, em Cordeirópolis, região próxima a Campinas, SP, sofria com reações alérgicas causadas por má alimentação e foi obrigada a revolucionar sua dieta para preservar sua saúde. A melhora foi radical ela lembra. Hoje não sente mais nada e não toma nenhum tipo de medicamento anti-alérgico. Rita que é bióloga de formação sempre praticou uma agricultura preservacionista na propriedade. “Assim que se viu curada da moléstia, a produtora, que já cultivava uma quantidade enorme de culturas nas suas terras, pensou: Porque não transferir os benefícios que os produtos orgânicos me trouxeram, para os consumidores de meus produtos? Daí em diante foi só uma questão de tempo para transferir toda sua produção para o sistema orgânico. Hoje ela diz que os negócios vão muito bem e a procura pelos mais de 50 itens que ela comercializa é crescente.


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